China e Terras Raras: O Jogo da Escassez Induzida

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France 24 - 22/06/2026 - https://www.france24.com/en/business/20260622-china-sanctions-us-tech-giants-weeks-after-pentagon-blacklisted-chinese-firms

Fonte: France 24 - 22/06/2026 https://www.france24.com/en/business/20260622-china-sanctions-us-tech-giants-weeks-after-pentagon-blacklisted-chinese-firms

 A China impôs sanções a empresas americanas que incluem, por um lado, a proibição de exportação de itens de "dupla utilização" (com potenciais aplicações militares e civis) provenientes de companhias chinesas para fabricantes de drones militares e mineradoras de terras raras específicas – como AVEOX, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services, MP Materials e USA Rare Earth – e, por outro lado, a proibição de compras por parte de entidades governamentais chinesas de produtos de 46 empresas dos EUA, incluindo unidades da Lockheed Martin, Raytheon e General Dynamics, visando restringir o acesso tecnológico e comercial dessas companhias ao mercado chinês.

O nosso ensaio sublinha que a China domina mais de 70% do processamento dos minerais críticos, especialmente as terras raras pesadas, essenciais para a transição energética e a indústria de defesa. A recentíssima sanção chinesa a dez empresas americanas — incluindo a MP Materials e a USA Rare Earth, duas das poucas produtoras de terras raras fora da China — é um lembrete brutal desta dependência.

A China não se limita a exportar minerais; controla toda a cadeia de valor, desde a extração até ao processamento. Quando o Japão deteve dois dos seus cidadãos por alegada tentativa de contrabando de terras raras, Pequim respondeu com exercícios militares no Mar da China Meridional, num claro sinal de que a segurança dos recursos é uma questão de soberania.

No nosso ensaio argumentamos que a janela de vulnerabilidade máxima (2025-2030) é precisamente agora, quando o Ocidente ainda não tem alternativas em escala. Os dados confirmam-no: a Lynas Rare Earths, a única produtora de terras raras de escala fora da China, processa o seu minério na Malásia, não na Austrália, por questões de custo e proximidade às cadeias de valor asiáticas. E, como o ensaio prevê, a construção de uma alternativa levará uma década — tempo durante o qual a dependência se mantém.

A pergunta é: até que ponto o Ocidente está disposto a pagar o preço — em termos de custos mais altos, prazos mais longos e possíveis retaliações — para reduzir esta dependência?

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